Fases & Mutações Alheias

Há um momento na vida de em que deixamos de contar as horas e focamos nossos esforços num objetivo, numa razão e em outras emoções que se embassam nos dias, meses e anos que escorrem nas folhas do calendário. Lutamos diariamente por um lugar ao sol e recomeçamos nossa luta que parece algo tão natural como acordar e escovar os dentes.

Acho que nada poderia ser diferente, pois quem vive e quem sente o isolamento voluntário dos primeiros anos, os medos e anseios e as ânsias e esperanças que parecem descolarem-se de um livro de memórias. Mas fazemos a nossa hora assim como fazemos tudo acontecer, mesmo parecendo levar mais tempo do que a nossa paciência guardada lá no fundo da garrafa de vinho que chega ao fim. Então é hora de pensar pra frente, projetar os fatos que ainda não aconteceram e poupar o dinheiro que chega sempre atrasado pras dívidas que se acumulam. Estou vivendo minhas fases, muito mais do que a lua possa contar ou decifrar.

Estou vivendo minhas mutações e parece tudo menos do que antes, até mesmo o reflexo no espelho me olha com um jeito meio desconfiado. Pra quem vive transformações sutis na adaptação cumpulsória deve haver sempre aquela dose necessária de bom humor pra todas as horas.

Pra quem chora sem reservas as saudades e as perdas; os ganhos que ainda serão depositados na nossa conta existencial. Deve haver sempre a boa vontade com nós mesmos pra que estando só ou acompanhado saibamos consomar o nosso peito ressentido nos instantes que nos pensamos mais fracos.

Todo bem e todo mau que fazemos a nós mesmos e aos outros, tudo conta e tudo pesa na balança. Por isso nas minhas fases compartilho com você o que nos faz irmãos e estranhos, amigos no real e no virtual que a vida moderna nos oferta. Compartilho queixas, e na teimosia que me faz franzir a testa, na intuição, no quase advinhar do que vem pela frente. O mundo continua velho com suas guerras e seus vícios, e continuamos nós na nossa trilha como quem caminha meio sem prestar atenção nas armadilhas, em palavras vazias, em ‘ boas inteções’ alheias, etc e tal.

Há também momentos que confessamos nossos erros e admitimos faltas e falhas e até quem chamamos de louco nos parece mais normal. Nas mutações perdemos e ganhamos no que a vida depura, filtra e como um diamante que se auto lapida nos esmeramos no que fazemos com aquele toque mais pessoal.

Eu vejo em você o que já fui ou que serei e ainda assim não perdi minha identidade, não perdi as rimas nem as palavras que se repetem por pura inssistência, como uma música que perssegue nossos pensamentos e por mais que tentemos fugir ela volta ainda mais forte. Vejo em você um outro eu e ainda não sei se gosto mais ou de menos. Apenas aceito o que ainda não posso mudar, apenas fico ás vezes inconformado e de mau humor. Apenas fico mudo e sem saber se alegre oiu triste me sinto confuso. Mas hoje quero mudar é porque sou e stou mais forte.

Não deixei de querer saber os porquês e reclamar do que acho que está errado. Não sou palmatória do mundo nem fiz as regras. E assim como o frio abaixo de zero que não me agrada, aprendo a suportar a caminhada que faço diariamente de casa até a estação de trem.

Aprendo a admitir que não sou perfeito, mas nem por isso vou deixar de querer me aperfeiçoar como ser humano. Nas suas mutações alheias também mudo com você e nas minhas fases quero deixar as minhas luas também iluminarem os seus caminhos.



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Brasileiro vivendo atualmente na Holanda e colaborando com o Chá com Leite! Para ler mais textos como este, visite o site do Bira! http://www.biramalta.com Leia outros 17 artigos de Bira Malta
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